A Indústria da Fundição em Minas Gerais

O setor de fundição desempenha, em qualquer país, independentemente de seu estágio de desenvolvimento, uma função importante na economia.
O ferro fundido tem larga aplicação no mercado: caixas,tampões e grelhas (água, esgoto, telefonia e eletricidade), peças para material de transporte, peças para maquinário leve e pesado, peças para motores e aparelhos elétricos, etc.

Apesar da crescente tendência de se concentrar a produção em um número reduzido de empresas (no Brasil,apenas 10 empresas respondem por 50% da produção), continuam existindo amplas possibilidades para unidades pequenas, que saibam usar eficazmente os fatores de produção e tenham criatividade.

Conta-se que nos primórdios da humanidade, um mineral jogado por acaso em uma fogueira tornou-se líquido. Em seguida, ao esfriar, tomou a forma do recipiente que o continha. Estava assim, descoberto o processo de fundição.

Vários estudos e artigos já foram feitos e escritos sobre o início da fundição no Brasil por doutores, engenheiros e especialistas nas áreas de metalurgia/siderurgia/fundição. Destacamos os publicados nas revistas FUND (Abril a Julho de 1978) sob o título “Fundição: História e Curso de seu Desenvolvimento”; Fundição e Matérias-Primas (agosto de 1988) com o título: “Desenvolvimento da Fundição no Brasil” de autoria do Engº Macedo Soares e Silva e Fundição e Serviços (Fev. 2005) sob o título: “O Primeiro Fundidor do Brasil”, de autoria do Dr. Jorge Caldeira.

As fundições primitivas, principalmente as de ferro, se desenvolveram sobretudo em São Paulo e Minas Gerais, durante os séculos XVII e XVIII. Quando D. João VI chegou ao Brasil, na década de 1780, abrindo os nossos portos à navegação internacional e traçando um grande plano de desenvolvimento econômico, que contou com a colaboração de brasileiros como Visconde de Cayru e Intendente Câmara, dos metalurgistas alemães Eschwege e Varnhagen, e mais tarde o engenheiro Monlevade. Dessa época destacam-se as construções das primeiras grandes forjas nacionais em Congonhas do Campo, Morro do Pilar, Ipanema e São Miguel do Piracicaba. O Brasil entrava no domínio da siderurgia moderna para a época com a produção de algumas peças importantes de ferro como bigornas, aguilhões, almofarizes, tambores e vasos muito grosseiros.

Apesar do funcionamento das primeiras fundições em Minas Gerais datar dos séculos XVII-XVIII, o seu desenvolvimento foi lento e difícil.

Somente por volta da década 1970, devido ao acentuado desenvolvimento industrial é que foram criadas condições favoráveis ao seu desenvolvimento e crescimento no Estado.

Em 1971 o SENAI – Departamento Regional de Minas Gerais desenvolveu pesquisa sobre o setor de fundição no Estado para identificar a melhor localização para implantação de uma escola especializada em fundição. A pesquisa foi orientada e coordenada pelo engenheiro francês Marcel Ganivet, perito do PNUD – Programa da Nações Unidas Para o Desenvolvimento. Como resultado do estudo, em 1977 era inaugurado o SENAI/CETEF – Centro Tecnológico de Fundição Marcelino Corradi, em Itaúna, região Centro Oeste do Estado.

O CETEF é considerado pelos empresários mineiros do setor, como um verdadeiro “divisor de águas”, em função da sua atuação na formação de quadros técnicos especializados em fundição, na realização de ensaios e análises indispensáveis ao processo de produção de fundidos, da assistência técnica e tecnológica e da pesquisa aplicada. Segundo empresário do setor - o saudoso Tarcísio Cardozo de Souza, ex - Presidente do SIFUMG, “a decisão de implantação do CETEF se deu no mesmo período da revolução industrial mineira, que culminou com a instalação da FIAT Automóveis em Betim”.

A instalação da FIAT foi acompanhada em seguida, pela Teksid do Brasil, a segunda maior planta de fundição do Brasil e a primeira em Minas Gerais, hoje com uma capacidade instalada de 300.000 toneladas/ano.

Segundo estudo publicado pelo INDI – Instituto de Desenvolvimento Industrial de Minas Gerais, em 2003, “o setor de fundição de Minas Gerais evoluiu no que se refere à sua participação no setor nacional, com maior constância no desempenho do setor de fundidos. Ao analisar as curvas de tendência de Minas e do Brasil verifica-se que a curva de Minas Gerais possui um inclinação ligeiramente superior à do Brasil, evidenciando ganho de produção das empresas mineiras. A participação da produção de fundidos de Minas cresceu de 18% em 1976 para 31,4% em 2002. O estudo observa a evolução da produtividade do setor de fundição de Minas e do Brasil em tonelagem/homem/hora. È possível verificar os resultados gerados pelos investimentos realizados em processo de mecanização/automação e treinamento de mão-de-obra durante toda a década de 1990”.

Confirmando os estudos e análises do INDI, o SIFUMG, através de seu atual Presidente, empresário Afonso Gonzaga, apresenta dados do significativo crescimento da produção mineira de fundidos, passando de 560.000 ton/ano em 2002 para 640.000 em 2003, 940.000 em 2004, ultrapassando a marca de um milhão de toneladas em 2005, com precisamente 1.069.374 toneladas produzidas. Essa produção é o resultado do trabalho de 379 empresas instaladas no Estado, com 20.535 empregos diretos e cerca de 14.000 indiretos. A gama de peças fundidas é variada, sendo que a de autopeças representa 56% do total, seguida por peças de saneamento básico, equipamentos agrícolas, mineração, ferroviário e utensílios domésticos. O universo das empresas é representado por 2% de grande porte, 15% de médio e 83% de pequenas e micro empresas. O arranjo produtivo local da região Centro Oeste de Minas concentra o maior número de plantas industriais de fundição, com uma representatividade de 25% de toda a produção mineira.

Os dados apresentados são reflexos dos esforços despendidos pelas empresas para a modernização/automação de suas plantas industriais e do incansável trabalho de apoio das instituições ligadas ao setor no Estado, buscando maior produtividade e melhor qualidade para a elevação da competitividade junto aos mercados nacional e internacional.